O Paradoxo do Palhaço: O abismo e a angústia




O quadro do paradoxo do palhaço reflete o quanto somos vulneráveis diante da angústia. Stanczyk estava no baile da Rainha Bona quando, de repente, recebeu uma notícia e ficou dilacerado. Uma festa acontecia, e quem deveria alegrar o evento estava imerso em tristeza e angústia.


A angústia tem o poder de nos esmagar! Mesmo que esteja acontecendo uma enorme celebração, ela nos agarra e nos transporta para outro lugar. Já estivemos nesse lugar várias vezes...


É um abismo, e quando nos damos conta, já estamos caindo nele. E é fácil cair no abismo se você tropeça perto dele. É como aquela pedra que aparece repentinamente no seu caminho, que não vemos, mas que estava lá o tempo todo. E então? O que fazer nessas horas, se já estamos caindo nesse abismo? O medo de não aguentar a queda é grande! Esses dias ouvi alguém dizendo que nos enganamos achando que vai haver algo que irá nos salvar lá no fundo, mas precisamos entender que, na realidade, não há nada lá...


Precisamos entender que é um abismo e que, mais cedo ou mais tarde, vamos nos "espatifar" lá embaixo. E qual será nossa atitude durante o processo, antes de cair? Estamos caindo, e o que podemos fazer? Vamos suportar a queda? Temos real noção da nossa capacidade? Qual é o nosso limite? E quem definiu esse limite? Eu ou alguém? Qual é a voz que grita dentro de você, dizendo que você vai cair e que não tem como escapar? E daí? Vamos cair, sim, mas o que importa é o que fazemos antes da queda. A única pessoa que sabe como lidar com isso sou "eu"! Mas será que esse "eu" sabe mesmo o que fazer? E se esse eu for apenas um ser criado pelas minhas experiências e expectativas frustradas? O que me resta?


Encarar a realidade não é fácil. Como o filósofo Nietzsche diria: "Quanta verdade um espírito suporta? Quanta verdade ele se aventura a enfrentar?"


A angústia nos arranca do sofá quentinho e do cobertor macio e nos joga no chão gelado e áspero, em um ambiente hostil e enigmático. Ela nos faz encarar nossos maiores demônios. Sentimos o frio na barriga e o medo de sermos tragados por eles. O receio de enfrentá-los é tão grande que preferimos fugir e nos esconder. E então, caminhando na escuridão das nossas cavernas emocionais, tropeçamos e nos deparamos com o abismo. Não há como escapar!


E o que cada um de nós faz quando finalmente cai? Percebemos que somos pó, e ao pó retornaremos. Percebemos nossa fragilidade e nossa incapacidade de escapar da contingência. Do mais devoto ao menos devoto, ninguém está livre de sofrer. Parafraseando Nietzsche: "Aquele que encara o abismo, o abismo encara de volta."


Ao encarar nosso próprio abismo, recebemos o doce convite à introspecção e à revelação de quem realmente somos. E é possível não gostar do que vemos, mas isso faz parte de quem somos. E esse convite, confesso, é tentador... Conhecer nossas sombras nos ajuda a entender como somos, como pensamos e como agimos. É como se olhar no espelho sem maquiagem e sem roupas. É você em sua essência, sem rótulos, sem máscaras.


Durante esse momento, o primeiro sentimento é de assombro, e a jornada pode ser difícil e árdua. Podemos nos sentir ansiosos e hesitantes. Os escombros podem ser grandes, os gritos de socorro, as muralhas derrubadas, os horrores de estradas abandonadas. A solidão, o medo, a mentira, a negação... As prisões... Sim, as prisões... Elas também estão lá... Algumas abertas e outras fechadas.


Acredite, eu ainda me surpreendo cada vez que chego lá, mas não fico muito tempo. Encaro de frente essa jornada angustiante, mas não fecho os meus olhos. Quando saio, fecho a porta, mas às vezes esqueço de trancar, e então esses demônios fogem, arrombam a porta, e eu tenho que lidar... De novo e de novo. Nessas horas, eu não sinto medo, mas alívio de saber que eles ainda estão lá e que, se a porta ficou aberta, significa que preciso voltar.


E você? Já encarou o seu abismo hoje?

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