Ter fé é uma tortura para a inteligência
Não sei de quem é essa frase: "Ter fé é uma tortura para a inteligência", mas ela se encaixa exatamente naquilo que estou vivendo hoje. Sempre me vi como uma pessoa bem conectada à minha fé e crença em Deus. Apesar de todo sofrimento e de não conseguir construir um raciocínio lógico para essa necessidade que tenho, sinto que estou conectada com o meu eu interior. Hoje consigo perceber a importância daquilo que queremos e como é fundamental ter clareza sobre isso.
Eu me sinto, de verdade, como o filho pródigo. Como se eu tivesse dito para Deus:
“Me desculpa por isso, mas eu não consigo mais acreditar nessa instituição e nos seus representantes. Me perdoa por não acreditar mais... Preciso ir, porque, se tudo o que vivi até agora foi uma mentira, então eu preciso descobrir a verdade.”
E foi aí que pedi a Ele a minha liberdade…
E fui.
E essa trajetória foi incrível, porque conheci uma nova perspectiva de mundo, aprendi muito e amadureci demais. Entendi que existem outras formas de vivência, outras formas de sentir a vida, de acreditar. E percebi que as dores também estavam lá, sendo trabalhadas de várias formas. Conheci pessoas novas, suas perspectivas, e finalmente consegui enxergar a fé do outro — não mais partindo apenas da minha visão religiosa de mundo (Confesso que é difícil, mas aprendi mesmo assim). Acho que minha mente se expandiu de uma forma que eu nunca pensei que seria possível.
Aprendi a me amar mais… Tá, essa parte eu confesso que ainda falho muitas vezes.
Aprendi que ética não tem nada a ver com religião, e sim com escolhas.
E carambaaaaaa... finalmente bateu a saudade.
Bateu forte a saudade da minha casa espiritual.
Mas fiquei na dúvida se podia voltar, porque eu já não era mais a mesma pessoa.
Aprendi muitas coisas que talvez não sejam desconstruídas — ou pelo menos não voltarão a ser como antes.
Maaas, como diria Nietzsche:
“Não há fatos eternos e nem verdades absolutas.”
E eu ainda preciso aprender que sou pó, e ao pó retornarei. (Gn 3:19)
E o que dizer sobre perspectivas? Sobre "dar certo"?
Deus nunca me prometeu essas coisas. Mas eu exigi respostas.
E adivinha? Elas nunca vieram...
Eu ainda carrego minhas dores, ainda carrego minhas ansiedades, minha mortalidade, humanidade, questionamentos, rebeldia... tudooooo.
E Ele só me demonstrou amor.
Não entendo.
Não entendo nada.
Mas tem coisas que precisamos aprender, tem coisas que jamais vou aprender, e tem coisas que as próximas gerações irão aprender.
E é isso...
Eu não tenho o que explicar.
Mas continuo na minha busca incessante por respostas — mesmo que, no final, não haja sentido nenhum.
E o que eu aprendi com tudo isso?
Que sou um ser falho, e preciso de ajuda para não me sentir ainda pior na dança da vida.
Aceitar o incerto, o inexplicável, não é fácil.
Mas não há nada que se compare à paz de ser você mesma e ser aceita por quem te ama de forma incondicional.
Entender que fui feita assim — e que posso, sim, mudar, crescer, amadurecer, evoluir — e que nada disso tem a ver com a minha fé.
"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso, nunca se sabe qual é o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro". Clarice Lispector

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