Um Peregrino na Fé


Durante muito tempo, achei que viver de acordo com as regras religiosas e participar das cerimônias agradariam a Deus ou me ajudariam a encontrá-lo. No entanto, existe um texto bíblico que diz: "Pois não te comprazes em sacrifícios; do contrário, eu tos daria (diz o salmista); e não te agradas de holocaustos. Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não os desprezarás, ó Deus." Salmos 51:16-19. Por isso, acho difícil oferecer "sacrifícios" para encontrá-lo se eu fizer isso por obrigação, pois entendo que isso seria um tipo de sacrifício.


A partir disso, questiono: A verdade da minha espiritualidade reside no templo? Preciso da fisicalidade ou dos rituais para manter viva  a minha fé? Eu realmente preciso dos símbolos e dos rituais? O que é necessário? A nossa experiência, seja ela coletiva ou individual, não é absoluta, mas única e pessoal. Isso indica que devo utilizar a minha verdade como regra de vida? E quando as certezas da própria religião, assim como as suas afirmações, são abaladas? O que nos mantém de pé? São as nossas convicções ou a nossa fé? Não tenho mais certeza de nada...ou tenho?


Ainda quero compreender quais estruturas me limitam e não me permitem ver a minha vulnerabilidade diante de um universo indiferente a minha existência. 


Embora a minha mente não reconheça ou entenda plenamente, o sentimento de pertencer a uma fé me traz satisfação com todas as "verdades" que descubro. E ao explorar mais sobre a religião que me  desenvolveu e formou as minhas crenças, mesmo que eu não acredite mais da mesma forma que eu acreditava no passado, ainda me pergunto: "E aí? Ainda existe fé?". Nesse momento, a resposta é sempre diferente mas percebo que hoje eu encontro uma fé que não reside mais na religião , mas em algo maior do que eu, muito maior do que a minha própria racionalidade, muito maior do que as minhas regras morais, muito mais forte do que eu. Não consigo expressar isso em palavras; eu apenas  vivo essa peregrinação e me pergunto: Será que volto para casa ou encontrarei um novo lar?

 




 

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